sábado, 19 de março de 2011

Aversão a risco ou à perda?


Pense em um indivíduo que está diante de duas possibilidades: 1º) 80% de chances de ganhar R$ 10.000,00; e 2º) 100% de chances de ganhar R$ 7.000,00. Qual você escolheria? Vejamos a probabilidade de ganho ou o retorno médio de cada escolha: 1º) 0,80 x 10.000,00 = 8.000,00, ou 2º) 1 x 7.000,00 = 7.000,00. Um estudo feito mostrou que 80% das pessoas preferiram o segundo caso, em que seria certo ganhar 7 mil reais, do que correr riscos para obter um ganho maior, mesmo que (racionalmente) a probabilidade de ganhar mais seja escolher o primeiro caso. Agora veja o seguinte exemplo: 1º) 80% de chances de perder R$ 10.000,00 e 2º) 100% de chances de perder R$ 7.000,00, em retorno médio: 1º) – 8.000,00 e 2º) -7.000,00 (veja que os valores não mudaram, apenas agora trata-se de perder, e não de ganhar), porém 92% das pessoas entrevistadas disseram que prefeririam dessa vez o primeiro caso, ou seja, quando trata-se de tentar evitar ou diminuir perdas as pessoas tendem a correr mais riscos, esse fenômeno ocorre porque sofremos mais com uma perda do que temos prazer com um ganho - da mesma magnitude. Esse exemplo nos ajuda a compreender que não possuímos aversão ao risco e sim a perdas (já que aceitamos tomar maiores riscos para diminuir possíveis reveses) e, do mesmo modo, porque os investimentos em renda fixa são muito maiores do que em ações, visto que as ações (apesar de no médio e longo prazo promoverem ganhos substancialmente maiores do que a renda fixa) tenham uma maior volatilidade e assim um maior risco, ou seja, preferimos um ganho certo menor a um ganho maior com risco, o chamado “efeito certeza”. Também nos mostra que os agentes econômicos não são racionais como a teoria econômica tradicional diz, já que, como vimos, deixamos os medos de possíveis perdas e o “efeito certeza” afetarem nossa tomada de decisão.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Shakespeare, o medo e a bolsa!

                                          Willian Shakespeare (1564-1616)

 É fato que o medo é muito importante para as nossas vidas, pois é essa emoção que não nos deixa correr riscos demasiadamente grandes que nos tornem inconsequentes ao ponto de colocarmos em risco nossas próprias vidas. Uma pesquisa feita pela Universidade de Cambridge, chamada Fear Factor (Fator Medo), buscou, através de entrevistas com pessoas  - das mais variadas culturas, países, situações financeiras e graus de escolaridade - encontrar uma escala dos maiores medos que as pessoas possuem. Excetuando os países onde havia guerra, fome ou um momento político desfavorável encontrou-se um padrão de uma “escala de medo”, em que o medo de falar em público vem encabeçando a lista, seguido do medo da morte e, logo atrás, o medo de faltar recursos financeiros para a própria sobrevivência. Ou seja, o medo de faltar dinheiro causa quase tanto abalo emocional quanto o medo da morte. Mas até que ponto o medo nos ajuda nos mercados financeiros? É sabido que para se ganhar dinheiro com investimentos é preciso correr riscos, se você não suporta correr riscos, corra para a poupança que, além da mesmice, não lhe trará nenhum retorno. Como disse Shakespeare “nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com frequência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar”. O poeta inglês tinha o espírito da coisa!

Álvaro Santos

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Bolha imobiliária no Brasil?


Já está ficando batido falar sobre a crise norteamericana que começou com os empréstimos sub-prime, num processo que o ex-presidente do FED Alan Greenspan denominou de “exuberância irracional”, mas é fato que essa crise mudou alguns paradigmas e trouxe muitos reveses às economias dos países de todo o mundo, mesmo que menos para uns do que para outros (desenvolvidos vs em desenvolvimento, com uma grande vantagem para os últimos). Porém já existem grandes indícios que uma crise imobiliária está para estourar na China e será que o mesmo não é verdadeiro para o Brasil? A Fundação Instituto e Pesquisas Econômicas (Fipe) mostrou que em três anos os imóveis no Rio de Janeiro já valorizaram 95%, em São Paulo e Porto Alegre a valorização dos imóveis não perde muito para o Rio. Hoje (se fizermos a conversão cambial dólar/real) está mais barato comprar imóveis em Miami Beach do que no Rio de Janeiro ou na Espanha do que em São Paulo, é evidente que os EUA e a Espanha sofreram um forte abalo com a crise e que o Brasil está em um ótimo momento. Só nos resta saber quanto tempo isso ainda irá durar, se formos olhar para a demografia nos parece que ainda teremos bastante ar para inflar esta bolha, pois nos próximos vinte anos teremos mais população ativa no país do que inativa, somando isso a questão do aumento de renda do brasileiro não precisa pensar muito para ver que muita gente ainda vai comprar sua casa própria. Por enquanto é questão de escolha: charme europeu versus caos paulistano ou pessoal de South Beach versus traficantes do Alemão.

Álvaro Santos

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

A atuação do Banco Central no mercado de câmbio!


                                     Alexandre Tombini, Presidente do Bacen

Estamos passando por um momento ímpar na nossa economia, em que, depois de obtermos investment grade, promovermos a tão esperada estabilização monetária com o Plano Real, desenvolvermos o mercado de capitais e outras reformas importantes, nosso país se tornou um lugar bastante procurado por investidores estrangeiros atraídos por nossa taxa de juros (a mais alta do mundo) embora, para nós, historicamente, ainda seja relativamente baixa. Somando isso à questão de os países desenvolvidos estarem passando por uma crise na qual o risco de se alocar capital aumentou muito e com a grande impressão de dólares feita pelo FED (com o objetivo de reaquecer a economia norteamericana - o que na verdade acaba sendo mais veneno para o envenenado - e exportação da crise americana para o resto do mundo, como já ocorreu diversas vezes), acaba entrando muito dólar na nossa economia, como antes de investir em determinados ativos financeiros, o investidor estrangeiro precisa cambiar o dólar por real, a demanda por real aumenta o que, consequentemente, faz com que nossa moeda se valorize. Embora uma moeda forte seja muito bom para a economia, trazendo benefícios como o controle da inflação que se dá através do maior poder de compra do real perante bens estrangeiros (aumentando a concorrência para com os produtos brasileiros fazendo o preço destes declinarem), o nosso setor de exportações sofre muito com esse efeito (valorização cambial) e como esse setor possui um grande poder de lobby, o Bacen instantaneamente passa a atuar no mercado de câmbio comprando dólares de modo a tirar a moeda estrangeira do mercado com o objetivo de não valorizar tanto o real, porém quando o Bacen compra dólares dos agentes econômicos, começa a inundar a economia com Real, o que por sua vez diminui o poder de compra da nossa moeda - através do tão temido processo inflacionário. Como o objetivo do Bacen não é aumentar a oferta monetária, este começa um processo de esterelização, mediante a venda de títulos públicos, enxugando esse fluxo de reais que entrou na economia de modo indesejado por causa da tentativa do governo em manter o real mais desvalorizado do que seria se o mercado estivesse atuando por sua conta (oferta e demanda de divisas). Assim o Bacen consegue conter a alta do dólar e também o efeito que essa compra de moeda estrangeira acarreta inflação. Porém, será que não seria melhor deixar o real mais valorizado para que possamos comprar bens de capital mais baratos lá fora e, assim, modernizar e aumentar nosso parque industrial? Será que as novas altas da taxa de juros do BC são salutares para a economia ou só trarão mais dólares do exterior e aumentarão nossa dívida com a venda de títulos?

Álvaro Santos

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Por que não existe expectativa de vida negativa e não se deve emprestar dinheiro ao cunhado?


 Não existe expectativa de vida negativa, ou seja, se a expectativa de vida é de 79 anos e você acaba de completar 80, não quer dizer que está, como dizem, “devendo hora-extra para São Pedro”, sua expectativa de vida não é de -1 e (estando com a saúde em dia), possivelmente, chegue aos 90 anos e, se no seu 90º aniversário, você ainda estiver soprando velinhas, sua expectativa de vida aumentará mais 4,7 anos, aos 100 anos, mais 2,5 anos e se, surpreendentemente, com 119 anos, você ainda estiver vivo, deverá ter cerca de mais 9 meses de vida. Com o passar do tempo, a expectativa marginal de vida diminui, já que quanto mais se vive menos se espera viver, ou seja, as variáveis biológicas em relação aos anos de vida de uma pessoa obedecem variações aleatórias relacionadas à curva Gaussiana (na forma de sino) - em homenagem ao matemático Carl Friedrich Gauss. Já com a riqueza ou empréstimos que se espera receber a história é diferente, essas propriedades não obedecem a uma curva de distribuição normal, pois estas são muito mais suscetíveis à aleatoriedade do mundo não-gaussiano. Tomemos o seguinte exemplo: um empréstimo que você fez ao seu cunhado e que ele disse que pagaria em 79 dias, no final desse prazo o salafrário ainda não tendo devolvido o montante emprestado, a expectativa para o pagamento ser feito é de mais 25 dias, no 90º dia se você ainda não viu a cor do dinheiro espera-se que levará mais 58 dias, no 100º deverá faltar 89 dias até o pagamento, no 119º dia deverão faltar mais 149 dias. Se no 600º (você, com certeza, já vai ter tentado matar o rapaz) você ainda não ter sentido nem o cheiro do tutu, uma má notícia: a expectativa de pagamento será agora de 1590 dias. Como se pode ver, quanto mais se espera, maior será a expectativa em relação ao tempo que ainda se deverá esperar. Obs: A tesouraria dos bancos faz essa conta em relação ao seu débito no cheque especial.

Álvaro Santos

Fonte: The Black Swan, Nassim Nicholas Taleb

Greed is good!


"It's not a question of enough, pal. It's a zero sum game, somebody wins, somebody loses. Money itself isn't lost or made, it's simply transferred from one perception to another."  (Gordon Gekko)

sábado, 12 de fevereiro de 2011

O impacto da Serendipidade em nossas vidas!

                                Alexander Fleming descobriu a penicilina em 1928 
                                    
“Serendipidade” é um termo que foi cunhado pelo escritor Hugh Walpole que o derivou de um conto de fadas: “Os Príncipes de Serendip”, cujos príncipes estavam sempre fazendo descobertas afortunadamente, seja por acidente ou sagacidade.
Desde então, é chamado serendipismo todo ato de “iluminação”, em que não havia a intenção de descobrir algo novo. Essa "coisa nova" pode ser uma teoria, um produto ou até mesmo a cura para uma doença. Se pararmos para refletir, se não fosse pela serendipidade muitos de nós hoje nem estaríamos vivos, pois a penicilina que salvou tantas vidas foi descoberta por Alexander Fleming, por “acaso”, em seu laboratório, depois de voltar das férias; ou os homens sofreriam ainda com o seu maior medo, já que o viagra foi “descoberto” pela Pfizer enquanto testava-se uma droga para a hipertensão, a própria Coca-Cola é resultado de uma (inicialmente) bebida para a enxaqueca formulada pelo farmacêutico John Pemberton e até mesmo a nova onda das redes sociais, o “Facebook”, foi criada por Mark Zuckerberg, em seu quarto no alojamento de Harvard, depois de invadir o sistema da Universidade e quase ser expulso pelo então reitor Larry Summers (ex-secretário do Tesouro norteamericano), graças a essa proeza, Mark teve o que chamamos hoje de “insight” para o que seria o Facebook.
Por isso e outras coisas, há de se ter a cabeça sempre aberta e não querer teorizar tudo deixando lugar para a serendipidade fluir e quem sabe assim você não se tornará o novo bilionário da vez?

Álvaro Santos

Fonte: The Black Swan, Nassim Nicholas Taleb
          Bilionários por acaso, Ben Mezrich